CONSTRUINDO FUNÇÕES INVERSAS A PARTIR DA ABORDAGEM GRÁFICA: PERSPECTIVA INOVADORA PARA O ENSINO DE FUNÇÕES
Educação Matemática; Função Inversa; Formato Multipaper.
Esta dissertação, desenvolvida no âmbito do PROFMAT/UFOB, propõe uma abordagem inovadora para o ensino de funções, partindo da premissa de que o aprendizado significativo deve transcender a mera manipulação algébrica e o formalismo abstrato. Motivada pela inquietante realidade educacional da Bahia, onde dados do IEDE (2023) apontam que apenas uma ínfima parcela dos estudantes atinge o nível de aprendizado adequado em Matemática, esta pesquisa investiga como a visualização gráfica pode atuar como um catalisador para a compreensão de conceitos complexos. Fundamentado na epistemologia de Bento de Jesus Caraça, que defende a não confusão entre a função e seu instrumento de definição, e nos pressupostos de Sergio Lorenzato sobre o "ver com as mãos", o trabalho busca promover a transição do concreto para o abstrato através da experimentação direta. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa de caráter interpretativo e descritivo, estruturada no formato multipaper, na qual se analisa o engajamento e a construção autônoma de conceitos por parte de estudantes da rede pública. No artigo 1, discute-se a relevância do uso de materiais manipuláveis no ensino de Matemática, fundamentada por uma revisão bibliográfica e pelo mapeamento do "estado da arte" realizado na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), no Google Acadêmico e no repositório do PROFMAT, e uma análise crítica de livros didáticos contemporâneos, evidenciando as lacunas que justificam a necessidade de novas abordagens metodológicas. No artigo 2, apresenta-se o relato e a análise da aplicação de um recurso manipulável inovador junto a estudantes do Ensino Médio da rede pública do estado da Bahia. A essência da atividade consistiu no protagonismo discente através da confecção e manuseio de um material de baixo custo, composto por papel milimetrado e folhas de acetato, utilizado para a exploração visual e dinâmica de propriedades como injetividade, sobrejetividade e a construção de funções inversas. O estudo diferencia-se de pesquisas anteriores ao priorizar a percepção geométrica como base para a inversão de funções, visando preparar o aluno não apenas para o rigor do Ensino Superior, mas também para os desafios de interpretação de fenômenos reais exigidos por avaliações como o PISA. Conclui-se que o protagonismo discente e o estímulo à percepção visual resultam em uma apropriação mais robusta e leve do saber matemático, transformando o estudante em verdadeiro coautor de seu processo de conhecimento.