Atuação da sazonalidade climática do Cerrado nos padrões fenológicos e nos teores de carboidratos em duas espécies de Apocynaceae
crescimento vegetativo; desenvolvimento reprodutivo; pereiro-do-campo; tiborna-do-cerrado; pigmentos fotossintéticos; carboidratos solúveis.
A relação entre as plantas e o ambiente vêm sendo estudada por cientistas de diversas áreas, como fisiologia, ecologia, anatomia, histologia e bioquímica. A capacidade das plantas de responder às variações ambientais está diretamente relacionada a fatores bióticos e abióticos, os quais modulam seu desempenho fisiológico, com destaque para a atividade fotossintética. Desse modo, a fenologia surge como uma ferramenta essencial para a compreensão dos padrões de desenvolvimento das espécies, uma vez que reflete diretamente as respostas às oscilações sazonais do ambiente, especialmente em biomas com marcante sazonalidade climática, como o Cerrado. Nesse contexto, vale mencionar as espécies Aspidosperma tomentosum (pereiro-do-campo) e Himatanthus obovatus (tiborna-do-cerrado), ambas pertencentes à família Apocynaceae, as quais possuem grande potencial econômico e madeireiro em ambiente de Cerrado. Além disso, estão amplamente distribuídas pelo país nas áreas que contemplam o bioma. Assim, o estudo tem como objetivo avaliar a relação entre a fenologia e a dinâmica fisiológica de A. tomentosum e H. obovatus, com ênfase na produção de pigmentos fotossintéticos e acúmulo de carboidratos solúveis, ao longo das estações seca e chuvosa no Cerrado. Para isso, o estudo está sendo conduzido na Serra da Bandeira, localizada no município de Barreiras, Bahia, durante o período de agosto de 2024 a julho de 2025, considerando 20 espécimes de cada uma das espécie que são monitorados mensalmente quanto às fenofases vegetativas (brotamento, senescência, abscisão e maturação foliar) e reprodutivas (floração e frutificação). Adicionalmente, amostras de folhas maduras são coletadas mensalmente para quantificação de pigmentos fotossintéticos (clorofilas a, b, total e carotenoides) e carboidratos solúveis. Os dados obtidos ao longo de um ano serão submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. Vale destacar que serão apresentados apenas os dados de fenologia dos meses de agosto de 2024 a abril de 2025, pois as demais análises estão em processamento. Os resultados demonstraram que os padrões fenológicos e os teores de pigmentos fotossintéticos de A. tomentosum e H. obovatus foram fortemente influenciados pela sazonalidade do Cerrado. Em A. tomentosum, a abscisão foliar foi acentuada ao final da estação seca, seguida por intensa brotação com o início das chuvas. A espécie não apresentou atividade reprodutiva no período analisado. Os teores de clorofila a variaram conforme as condições climáticas, com máximos em janeiro e quedas em meses de alta radiação. Já H. obovatus apresentou brotação antecipada em outubro, com floração predominante na estação chuvosa e frutificação restrita ao final da seca. A produção de pigmentos, especialmente carotenoides, acompanhou a maior incidência de folhas maduras e a variação ambiental, refletindo a adaptação fisiológica das espécies às condições sazonais do bioma. Assim, é possível perceber que as variações fenológicas e fisiológicas de A. tomentosum e H. obovatus evidenciam a influência direta de fatores climáticos na dinâmica vegetativa e fotossintética dessas espécies.