PROPAGAÇÃO VEGETATIVA, SEMINÍFERA E ATIVIDADE ALELOPÁTICA DAS
FOLHAS DE Copaifera depilis FORNECIDAS NA SUPERFÍCIE DO SOLO
SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE MILHO
estaquia; alporquia; sementes; metabolismo secundário.
Diante do uso e ocupação das áreas de Cerrado faz-se necessário desenvolver
técnicas de propagação de espécies nativas, a exemplo de Copaifera depilis, a fim de
garantir a conservação da flora, bem como entender como estas interagem no
ambiente. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência da
estaquia e alporquia, empregando-se diferentes concentrações de ácido indol-3-
butírico (AIB), e da propagação seminífera associada ao uso de ácido giberélico (GA 3 )
sobre a produção de mudas de C. depilis, além de avaliar o efeito alelopático de folhas
fornecidas na superfície do solo sobre o desenvolvimento inicial do milho. Na
propagação por estaquia, as estacas foram imersas nas seguintes concentrações de
AIB: 0, 800, 1600, 2400, 3200mg/L. Após 120 dias, avaliou-se: número de estacas
enraizadas, número médio de raízes/estaca, comprimento médio das três maiores
raízes, mortalidade e formação de calo. Na propagação por alporquia, os alporques
foram embebidos em diferentes concentrações de AIB, a saber: 0, 500, 1000 e
1500mg/L. Após 180 dias foi avaliado: taxa de enraizamento, comprimento da maior
raiz/alporque, taxas de calejamento e de sobrevivência dos ramos. Já na propagação
via seminífera, um grupo de sementes foi escarificado e outro não, sendo que todas as
sementes foram imersas em GA 3 , durante 24h, nas concentrações 0, 50, 100, 200 e
400mg/L. Após 80 e 160 dias, foram analisados os parâmetros: altura, diâmetro do
caule, número de folhas e teor relativo de clorofila. Após 160 dias, o experimento foi
concluído e as plantas separadas em raiz e parte aérea para determinação de massa
fresca e seca. Nos experimentos alelopáticos, foram utilizadas folhas secas e
fornecidas na superfície do solo nas concentrações 0, 1, 2, 4, 6 e 10t/ha. Após 30 dias
foi realizada análise destrutiva e avaliadas as seguintes características de crescimento
das plantas de milho: comprimento da raiz e da parte aérea, diâmetro, número de
folhas, teor relativo de clorofila da segunda e terceira folhas, massa fresca e massa
seca da plântula, raiz e parte aérea. Os dados foram submetidos à análise de
variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, ao nível de 5% de
probabilidade. Os resultados demonstraram que propagação por estaquia e alporquia
não são viáveis para C. depilis, ocorrendo 100% de mortalidade das estacas e
alporques, respectivamente. Quanto à propagação seminífera, percebeu-se que não
houve efeito significativo da escarificação e GA 3 para as seguintes características:
emergência, altura, diâmetro do caule, quantidade de folhas, teor relativo de clorofila,
tamanho da menor folha e tamanho da raiz. Diferentemente de outras características,
obtendo efeito significativo da escarificação, a qual promoveu aumento no tamanho da
maior folha, massa fresca da plântula, raiz e parte área e massa seca da plântula, raiz
e parte área. Para atividades alelopáticas, os extratos foliares de C. depilis
apresentaram potencial, interferindo negativamente na: emergência (4, 6 e 10t/ha),
altura (todas as concentrações), diâmetro do caule (6 e 10t/ha), massa fresca da
plântula (6 e 10t/ha), da parte aérea (2, 6 e 10t/ha) e da raiz (6 e 10t/ha), além da
massa seca da plântula (6 e 10 t/ha), parte aérea (2, 4, 6 e 10t/ha) e raiz (2, 4, 6 e
10t/ha). Conclui-se que a propagação via semífera é eficiente para a produção de
mudas de C. depilis, a partir da escarificação física das sementes, e que os extratos
foliares apresentaram potencial alelopático, com redução no crescimento da espécie
modelo (milho), demonstrando potencial para uso como herbicida natural, o que
demanda experimentos com plantas espontâneas.