“ANÁLISE E CARACTERIZAÇÃO MORFOFISIOLÓGICA E
HORMONAL DOS ÓRGÃOS REPRODUTIVOS FEMININOS DE Molossus
molossus (MOLOSSIDAE – CHIROPTERA) EM DIFERENTES FASES
REPRODUTIVAS ”
Palavras-chave: Aparelho reprodutor; Estradiol; Progesterona; Reprodução; Morcego.
Conhecido popularmente como “morcego de cauda solta”, Molossus molossus é uma espécie
de morcego muito conhecida no Brasil, graças a sua alta representatividade (grande número de
colônias e espécimes), e por ser facilmente encontrado dentro de forros de casa, além de estar
disperso em grande parte do país, podendo ser encontrada em mais de 16 estados brasileiros.
Sabe-se que as fêmeas dessa espécie possuem uma assimetria morfofuncional no aparelho
reprodutor, porém não há estudos que descrevam as características morfofisiológicas e o
controle hormonal da reprodução desta espécie, assim, o objetivo desse trabalho foi analisar e
descrever as variações morfofisiológicas, morfométricas e o controle hormonal dos órgãos
reprodutivos femininos de Molossus molossus durante suas diferentes fases reprodutivas,
buscando avaliar o impacto e as modificações que os diferentes hormônios reprodutivos
desencadeiam sobre esse trato reprodutivo. Para isso, 20 fêmeas sexualmente adultas foram
capturadas e divididas em 4 grupos amostrais (n = 5): 1. Fêmeas não-reprodutivas (NON); 2.
Grávidas em estágio inicial (PI); 3. Grávidas em estágio avançado (PII); 4. e Lactantes (LAC).
O sangue de todos os espécimes, foram coletados para dosagens hormonais de estradiol e
progesterona, e os órgãos reprodutivos foram retirados e processados para análises histológica,
reconstrução tridimensional e análises imuno-histoquímicas para localização: dos receptores de
estrógeno alfa (ERα) e de progesterona (PR), enzima 3β-hidroxiesteróide desidrogenase (3β-
HSD), e ao anticorpo de proliferação celular (PCNA). Os resultados mostram que o sistema
reprodutivo feminino de M. molossus é composto por ovários, um útero bicorno curto, tubas
uterinas levemente convolutas e vagina. O sistema reprodutor, apresenta uma assimetria
morfofuncional distinta, com uma marcada dextro dominância em que o lado direito é mais
desenvolvido do que o esquerdo. Os ovários têm um grande número de glândulas intersticiais
e um pequeno e persistente corpo lúteo. A ovulação é simples, unilateral e preferencial,
ocorrendo exclusivamente no ovário direito. O desenvolvimento folicular no ovário esquerdo
geralmente não ultrapassa o estágio secundário. A implantação é fundica e preferencial,
ocorrendo exclusivamente no corno uterino direito. A placenta é formada por duas porções
corioalantóicas distintas, uma difusa endotéliocorial, que cobre toda a cavidade uterina e regride
nas fases finais da gravidez, e a porção principal hemocorial discoidal, formada no local de
implantação. O colo uterino apresenta um epitélio pseudoestratificado, enquanto a vagina tem
um epitélio estratificado pouco queratinizado. Além disso o útero é regulado pelos hormônios
estradiol e progesterona e seus receptores hormonais. Os cornos uterinos apresentaram
diferença de expressão para os receptores hormonais o que pode ser uma das causas da
assimetria dextro-dominante presente no útero. Aparentemente, as glândulas e epitélio
endometrial podem produzir progesterona, o que auxiliaria na manutenção uterina local,
durante as fases do ciclo que o corpo lúteo e a placenta não estão presentes. Parece que a
expressões de ERα e PR estão sincronizadas influenciando o ciclo reprodutivo da espécie.