DA BIODIVERSIDADE À CONSERVAÇÃO: IDENTIFICANDO ÁREAS-CHAVE NO CERRADO A PARTIR DA DISTRIBUIÇÃO DE LEGUMINOSAS ENDÊMICAS
Biodiversidade, conservação, ESM, Fabaceae, SDM.
A perda e a fragmentação de habitats estão entre as principais ameaças à biodiversidade, sendo o Cerrado um dos biomas brasileiros mais impactados pela conversão da vegetação nativa. Nesse contexto, Leguminosae destaca-se pela elevada diversidade, pelo alto grau de endemismo e pela importância ecológica, constituindo um grupo estratégico para estudos de conservação. Diante desse cenário, este trabalho teve como objetivos: (i) identificar áreas prioritárias para a conservação de leguminosas endêmicas do Cerrado, por meio da integração de modelagem de distribuição de espécies e avaliação preliminar do risco de extinção; e (ii) descrever uma nova espécie de Chamaecrista identificada durante o desenvolvimento da pesquisa. Foram compiladas 294 espécies endêmicas, sendo uma delas nova para a ciência, e um total de 13.914 registros de ocorrência provenientes das bases GBIF, JABOT, Reflora e SpeciesLink, dos quais 3.458 permaneceram após a checagem dos dados. O status de conservação foi estimado com o pacote ‘redlistr’, seguindo o Critério B da IUCN, e a distribuição potencial das espécies foi modelada utilizando variáveis bioclimáticas do WorldClim e os métodos SDM e Ensemble of Small Models (ESM). A descrição da espécie nova foi realizada com base em materiais depositados em herbários nacionais e internacionais seguindo as regras de nomenclatura botânica. Nossa avaliação preliminar de conservação classificou 177 espécies como ameaçadas (Criticamente em Perigo, Em Perigo ou Vulneráveis), 83 como Pouco Preocupante (LC) ou Quase Ameaçada (NT) e 34 como Dados Insuficientes (DD). Além disso, 159 espécies (55%) não possuem registros em Unidades de Conservação. As análises também identificaram cinco regiões de riqueza como prioritárias para conservação. A espécie nova descrita foi submetida à revista internacional Nordic Journal of Botany. A próxima etapa consistirá em estimar a perda de vegetação nativa nos últimos 20 anos dentro da área potencial de ocorrência de cada espécie, permitindo avaliar o impacto da conversão de habitats sobre a distribuição das leguminosas endêmicas do Cerrado.