INFLUÊNCIA DA SERRAPILHEIRA DE AROEIRA (Myracrodruon urundeuva M. Allemão) SOBRE O CRESCIMENTO DE MUDAS DE Theobroma cacao L.
Aleloquímicos; Cacau; Sistema Agroflorestal; Cerrado.
O Cerrado, segundo maior bioma da América do Sul, destaca-se por sua elevada biodiversidade. Entretanto, ainda são escassos os estudos sobre o potencial alelopático de espécies nativas desse bioma, especialmente frente à expansão da cacauicultura em áreas não tradicionais, como o Cerrado baiano, onde o cultivo tem sido realizado a pleno sol. Diante disso, o objetivo desta pesquisa foi avaliar o efeito alelopático da decomposição de folhas de aroeira (Myracrodruon urundeuva M. Allemão), em diferentes concentrações e tempos de decomposição, sobre o desenvolvimento inicial de Theobroma cacao L. Para tanto, folhas completamente expandidas (maduras) de aroeira foram coletadas, secas à temperatura ambiente, trituradas e incorporadas ao solo em vasos de 5,0 L, nas concentrações de 0, 10, 20 e 30 g/kg. Em seguida, mudas do cacaueiro cv. CC03, com três meses de idade, foram transplantadas. Mensalmente avaliou-se altura das plantas; número de folhas e teor de clorofila total; aos 0, 3, 6 e 9 meses, foram realizadas análises de área foliar, permeabilidade de membrana, teor de pigmentos cloroplastídicos, teor de carboidrato solúveis foliares, teor nutricional e triagem fitoquímica. Os resultados indicaram que as variáveis nutricionais e fisiológicas foram mais influenciadas por fatores ambientais e pelo estágio de desenvolvimento das plantas do que pela decomposição do material foliar incorporado ao solo. Não foram observados efeitos significativos, positivos ou negativos, sobre o metabolismo e o crescimento vegetativo do cacaueiro. A análise fitoquímica revelou a presença de diversos compostos secundários em ambas as espécies, com destaque para saponinas, flavonas, flavonóis, xantonas, alcalóides, fenóis e taninos. A espécie M. urundeuva provou ser possuidora de muitos compostos dentre eles fenóis, taninos, flavanonas, flavonas, flavonóis e xantonas. A aroeira apresentou elevada atividade antioxidante, com valores de IC₅₀ baixos e altos teores de compostos fenólicos, superiores aos observados em T. cacao. Apesar da presença de compostos potencialmente alelopáticos em M. urundeuva, não foi evidenciado efeito alelopático do material foliar nas condições deste estudo. Assim, os resultados sugerem a viabilidade do cultivo de cacau cv. CC03 em associação com a aroeira, contribuindo para sistemas produtivos mais sustentáveis e para a conservação de espécies nativas do Cerrado.