Análise metabolômica e identificação de biomarcadores em três isolados de Clonostachys rosea do Cerrado com potencial para o manejo biológico de fitonematoides
Biocontrole, metabólitos, fungo, sustentabilidade agrícola
Clonostachys rosea é um fungo filamentoso, micoparasita que pode controlar diversas doenças e pragas importantes em plantas com capacidade de atuar no controle biológico de fitonematoides por meio de metabólitos secundários com propriedades biocidas. Também apresenta mecanismos de resistência a xenobióticos, incluindo defensivos agrícolas. O Cerrado apresenta elevada biodiversidade e condições edafoclimáticas específicas do bioma, que favorecem a seleção de microrganismos adaptados, potenciais produtores de metabólitos secundários com atividade nematicida. Apesar disso, a microbiota do bioma permanece pouco caracterizada, embora represente uma fonte relevante de agentes para o controle biológico. A prospecção desses microrganismos é estratégica para o manejo sustentável em áreas agrícolas do Cerrado. Este estudo tem como objetivo caracterizar os perfis metabolômicos de três isolados de C. rosea oriundos desse bioma singular, visando o manejo de Heterodera glycines e Meloidogyne spp. Os isolados serão cultivados por fermentação submersa para a produção de compostos bioativos, cujos filtrados serão analisados no Laboratório Metabolômica do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (MET/CNPEM), por meio de espectrometria de massas com infusão direta (Q-ToF Waters Synapt XS), que permitirá a identificação do perfil dos metabólitos secundários produzidos por cada isolado. Alíquotas desses filtrados serão também utilizadas em testes de atividade nematicida in vitro e em casa de vegetação, para avaliar o efeito direto sobre os fitonematoides. A caracterização desses compostos contribuirá para o entendimento dos mecanismos de biocontrole de C. rosea e fornecerá informações para a seleção de biomarcadores metabólicos associados à atividade nematicida. Os resultados poderão subsidiar o desenvolvimento de bioinsumos eficientes e sustentáveis, reduzindo a dependência de defensivos químicos e a pressão por desmatamento de áreas nativas para expansão agrícola, ao mesmo tempo em que superam as limitações do controle biológico tradicional, cuja eficácia costuma variar em função de fatores ambientais.