COLETA DE SEMENTES NATIVAS DO CERRADO EM COMUNIDADES RURAIS DO EXTREMO OESTE BAIANO PARA FOMENTO DA CADEIA DE RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA
serviços ecossistêmicos, renda alternativa, protagonismo comunitário, etnobotânica, morfometria
O acelerado processo de degradação especialmente nas regiões do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecida com MATOPIBA, evidencia a necessidade de ações voltadas à sua restauração ecológica, fundamental para a preservação do segundo maior bioma do Brasil. Este estudo teve como objetivo analisar a coleta de sementes nativas do Cerrado por comunidades rurais do Extremo Oeste Baiano, considerando fatores socioeconômicos, critérios de preferência e caracterização morfométrica de espécies relevantes, visando o fortalecimento da cadeia da restauração ecológica. A pesquisa foi conduzida em duas comunidades localizadas no município de São Desidério (Sítio do Rio Grande e Julião) e no Assentamento Rio de Ondas, pertencente ao município de Luís Eduardo Magalhães. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, listagem livre, oficinas de mapeamento participativo com moradores destas comunidades, além da determinação de características morfométricas de frutos e sementes e parâmetros de emergência daquelas espécies com maior preferência. Os resultados indicaram que a coleta de sementes nativas do Cerrado no Extremo Oeste Baiano é realizada principalmente por mulheres (94,4%), com maior diversidade obtida por pessoas de menor escolaridade. A facilidade de beneficiamento foi o principal critério de escolha. As áreas de coleta, em stricto sensu e mata seca, abrangem deslocamentos de 6,5 a 20 km. Ainda, verificou-se o registro de 70 espécies no Assentamento Rio de Ondas e 48 em São Desidério, com destaque para Hymenaea stigonocarpa (jatobá do Cerrado), Anacardium humile (cajuzinho) e Parkia platycephala (sabiu) pela combinação entre bom vigor e rapidez de emergência, enquanto outras, como Pterodon emarginatus (sucupira branca) e Astrocaryum campestre (tucum) exigi tratamentos para superar a dormência. A integração de informações socioeconômicas, morfométricas e germinativas permitiu identificar espécies prioritárias, além de reforçar a relevância do protagonismo comunitário e da seleção técnica de espécies com maior potencial restaurador, fortalecendo a cadeia produtiva e a conservação da sociobiodiversidade regional.