UM ESTUDO NOS CERRADOS BAIANOS SOBRE PLANTAS NATIVAS COM POTENCIAL ORNAMENTAL
jardins naturalistas; agroecologia; açúcares solúveis totais; açúcares redutores; açúcares não redutores.
Pela necessidade de olhar o Cerrado com olhos de cuidado, optou-se por realizar um estudo sobre o potencial ornamental de espécies nativas dos cerrados baianos sob duas vertentes: paisagismo e flor de corte, pois acredita-se que trazer plantas nativas para a realidade das pessoas, através de jardins e arranjos, pode contribuir para o aumento da percepção e valorização da flora nativa, auxiliando na conservação da biodiversidade. Para tanto, selecionou-se a Serra da Bandeira, Barreiras (BA), que apresenta dois contextos fitofisionômicos de Cerrado: cerrado típico e rupestre. O estudo de prospecção paisagística foi realizado nos meses entre fevereiro e julho de 2023, onde foram realizadas excursões mensais através de trilhas já existentes. As espécies alvo foram coletadas para registro no Herbário BRBA. Em campo, foram analisados dados de fenologia reprodutiva, hábito, ambiente, luminosidade e morfologia de folhas, flores e frutos; ainda, considerou-se nível de ameaça e endemismo por meio de análises em bancos de dados online. O estudo de flores de corte foi realizado com Calliandra dysantha Benth. Para avaliação da longevidade, hastes florais foram coletadas e submetidas aos seguintes bioensaios: horário de coleta (08h – 09h; 11h – 12h e 17h – 18h), diferentes estádios de abertura floral (botão, pré-antese e antese), efeito da folha no armazenamento e sensibilidade ao condicionamento em solução de vaso com sacarose (botão: 0,0%; 0,5% e 1,0%; inflorescência em antese: 0%, 1%, 2%, 5% e 10%); diariamente foi medido perda de massa fresca (%) e volume de solução absorvida (mL). Para caracterização do metabolismo do carboidrato, foram coletadas inflorescências em antese e suas respectivas folhas em diferentes períodos do dia (início da manhã e final da tarde) e em diferentes estádios de abertura floral (botão, pré-antese, antese e senescente); os açúcares solúveis foram extraídos em álcool 80% e quantificados quanto ao teor de açúcares solúveis totais (AST), açúcares redutores (AR) e açúcares não redutores (ANR). Após prospecção, constatou-se a indicação de 36 espécies com potencial paisagístico, onde quatro destas são exclusivas do domínio Cerrado e nenhuma está sob ameaça. Ao final, foram indicadas 15 espécies com uso multifuncional (jardins e vasos) e 21 espécies para uso em jardins. Quanto à C. dysantha, a espécie apresenta longevidade de dois dias. Recomenda-se realizar a coleta das hastes em estádio de botão, pela tarde, e armazenar com ausência de folhas e em solução de vaso contendo 0,5% de sacarose. Estudos do metabolismo do carboidrato indicam que as inflorescências em estádio de pré-antese contêm maiores teores de AST e ANR, que estão relacionados ao fornecimento de energia para conclusão da abertura floral. Diante disso, percebe-se que há várias espécies nativas do Cerrado com potencial ornamental e que C. dysantha ainda não se demonstrou viável para flor de corte devido sua durabilidade, porém, este estudo fornece conhecimentos base para que pesquisas sejam continuadas com a fisiologia floral da espécie.