INTERSECCIONALIDADE EM TERRITÓRIOS INSURGENTES: A RE(EX)SISTÊNCIA DE MULHERES QUILOMBOLAS EM ZONAS DE CRIMES AMBIENTAIS
Quilombolas; Mulheres; Interseccionalidade; Racismo ambiental; Resistência
A presente dissertação, intitulada “Interseccionalidade em territórios insurgentes: a re(ex)sistência de mulheres quilombolas em zonas de crimes ambientais”, busca compreender as múltiplas dimensões da resistência das mulheres quilombolas frente às violações socioambientais em seus territórios. O problema central investigado consiste em entender como essas mulheres articulam agencialidade, memória e práticas culturais para enfrentar situações de racismo ambiental e desigualdades históricas. A pesquisa adota a perspectiva da interseccionalidade como ferramenta teórico-metodológica, considerando simultaneamente raça, gênero, território e posição socioeconômica das interlocutoras. Os objetivos do trabalho incluem analisar a experiência cotidiana das mulheres quilombolas, identificar as estratégias de resistência frente às ameaças ambientais e políticas, e compreender a produção de conhecimento a partir de suas vivências. A metodologia combina pesquisa qualitativa, revisão bibliográfica e documental, com entrevistas semiestruturadas e análise de imagens e registros etnográficos, priorizando a escuta atenta e a valorização da agencialidade das participantes. O estudo revela que os quilombos configuram-se como territórios de resistência e memória, nos quais as mulheres desempenham papel central na preservação ambiental, cultural e política, articulando saberes tradicionais e reivindicações legais. Os resultados demonstram a importância de reconhecer os quilombos não apenas como espaços geográficos, mas como construções sociais e políticas que promovem o bem-viver e a justiça ambiental, oferecendo uma compreensão aprofundada da resistência feminina quilombola frente à marginalização histórica.